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Homenagem da ONG Vez da Voz a Dorina Nowill
03/09/2010

Dorina de Gouvêa Nowill, uma das maiores ativistas pela inclusão das pessoas com deficiência visual no Brasil morreu no dia 29 de agosto, aos 91 anos. Segundo informações de familiares, ela estava internada havia cerca de 15 dias para tratar uma infecção, mas acabou sofrendo parada cardíaca.

Dorina ficou cega aos 17 anos por causa de uma doença que os médicos nunca conseguiram entender. Decidiu então dedicar a vida à luta pela inclusão de pessoas na mesma condição.

Com um grupo de amigas, criou em 1946 a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, que em 1991 recebeu seu nome. Junto com o Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, a Fundação Dorina Nowill Para Cegos foi uma das pioneiras na produção de livros em Braile, na distribuição gratuita dessas obras para pessoas com deficiência visual e no desenvolvimento de técnicas mais modernas para que o cego consiga ler - como livros falados e vozes sintetizadas no computador.
A Vez da Voz teve a honra de aprender, de perto, inúmeras lições.
Cláudia Cotes, presidente da Vez, até escreveu um livro em homenagem a essa grande mulher. Abaixo, mensagem escrita por Cláudia.
Nunca conheci mulher com voz tão forte e determinada como a Dorina. Dona de um senso de humor inigualável, ela me fazia gargalhar... Tão doce, inteligente e forte! Como eu amei todas as tardes que passamos juntas!!! Como eu AMEI escrever o livro Dorina Viu... Foi ela, a primeira pessoa que me disse: - filha, você é uma artista! Ela conseguia me explicar o lugar certinho, que eu deveria passar com o meu carro. Ensinava o caminho... Parecia até que a cega era eu. Nunca conheci uma mulher que tivesse uma coleção de “colherinhas”. De todas as partes do mundo... E ela bordava tapetes como ninguém. Tem um que é uma porta aberta, o outro, dois cavalos. O nome? TERNURA. Quando ela descobriu que fazíamos vídeos com Libras, também quis participar! E me disse: - se isto existe e é bom, vamos fazer!! Na Bienal de 2009, contamos histórias JUNTAS. Tinha gente de todas as idades. Mas, ela era a cabeça mais jovem! E disse: - no mundo, deveriam existir milhares de Cláudias... No primeiro desfile audiodescrito, lá estava eu com a câmera. E ela se mostrou altamente visionária. Disse: - mulher tem que ser bonita, cheirosa, tem que se arrumar! Tivemos tardes de amigas. Falamos de educação, de amor, das dificuldades, filhos, inclusão, relacionamentos. Pulsamos a vida! Até que eu falei: - Dorina, eu preciso ir embora. E ela respondeu: - já vai? Ah! Que pena... Hoje, ela se foi... - Já vai embora, minha querida amiga Dorina? - aaaaaaaaaa... fica pra SEMPRE...
Cláudia Cotes
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