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ARTIGOS

Universalizando o Desenho Universal
25/08/2010

Thank you, Yahoo!, pelo convite e pela tremenda honra que é desenvolver este novo espaço editorial, cujo objetivo é exatamente “universalizar” o Desenho Universal, um conceito que coloca em pauta a discussão sobre diversidade e inclusão.
A princípio usado em relação às dificuldades e necessidades de pessoas com deficiência, o Desenho Universal prega uma visão inclusiva de, na medida do possível, “tudo para todos”, e de, no limite do utópico, “todos para todos”, na construção de um mundo mais diverso e melhor.
Quando andamos pelas ruas, usamos uma cabine telefônica ou nos hospedamos em um hotel nem paramos para pensar que o acesso a esses lugares é condição fundamental para a participação social e a livre circulação dos cidadãos. Quando temos, em vez de escadas, rampas para chegar a um shopping center, sabemos que esse local foi construído de forma universal para que um cadeirante, por exemplo, também possa frequentá-lo. Ser universal é contemplar a todos.
O conceito de Desenho Universal está estabelecido na Lei 10.098/2000 e no Decreto 5.296/2004, com normatização pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, através da NBR 9050. Sua definição legal é: “Uma concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade.”
O Desenho Universal baseia-se no respeito à diversidade humana e promove a possibilidade de livre movimentação, funcionalidade e acesso a produtos, serviços e comunicação em condições de igualdade.
Os sete princípios do Desenho Universal
Os princípios abaixo podem ser aplicados a tudo o que criamos e produzimos, sejam produtos, serviços, metodologias e sistemas, a saber:
1. Princípio Igualitário – Uso Equiparável: Ser útil a pessoas com capacidades diversas, proporcionando usabilidade a todos.
2. Princípio Adaptável – Uso Flexível: Ser adaptável e adequado a pessoas com diferentes habilidades e preferências individuais.
3. Princípio Óbvio – Uso Simples e Intuitivo: Ser de fácil compreensão, independentemente da experiência, conhecimento do idioma, habilidade, nível de formação e concentração do usuário.
4. Princípio Conhecido – Informação de Fácil Percepção: Quando a informação necessária é transmitida de forma a atender a todos, independentemente do idioma, dificuldades de visão ou audição. A comunicação deve ser eficaz, através de recursos pictográficos, verbais ou táteis.
5. Princípio Seguro – Tolerante ao Erro: Visa minimizar riscos e consequências negativas decorrentes de ações acidentais ou involuntárias.
6. Princípio Esforço Mínimo – Baixo Esforço Físico: Estabelece que o uso deve ser eficiente e confortável, com o mínimo esforço, evitando a fadiga.
7. Princípio Abrangente – Dimensão e Espaço para Aproximação e Uso: Determina que o tamanho e espaço para aproximação, alcance, manipulação e uso sirvam a todos, independente da estatura, tamanho do corpo (obesos, anões etc.), postura ou mobilidade.
Acessibilidade Digital
O conceito de Desenho Universal não passa apenas pela questão arquitetônica e urbanística. Atualmente, uma das questões mais relevantes é a da acessibilidade digital, em páginas da web, programas, aplicativos e interfaces gráficas, em toda a gama de equipamentos que fazem parte da vida contemporânea. A questão é considerar a variedade de contextos de interação, bem como as dificuldades potenciais de uso relacionadas aos diversos tipos de deficiência. Muitas vezes o usuário pode se encontrar nas seguintes situações:
- não ser capaz de ver, ouvir, se mover ou processar certos tipos de informação;
- ter dificuldade de ler ou compreender textos;
- não ser capaz de operar o teclado ou o mouse;
- usar um monitor que não processa imagens ou é pequeno demais;
- não entender com fluência a linguagem do aplicativo;
- estar em uma situação em que o uso dos olhos, dos ouvidos ou das mãos está comprometido;
- usar uma versão do browser e/ou do programa, que não permite acesso ao conteúdo desejado.
É a partir dessas questões que surge a necessidade de desenvolver formatos em que a questão do acesso de todos os usuários, inclusive daqueles com deficiência, esteja garantido. Assim, é absolutamente necessário que, por exemplo, uma página da internet atenda às recomendações de acessibilidade tanto para usuários com computadores comuns quanto para usuários que estejam interagindo a partir de, por exemplo, um sintetizador de voz (para deficientes visuais).
Nesse sentido, o Word Wide Web Consortium (W3C), instituição global que promove padrões de acessibilidade digital, trabalha para universalizar a possibilidade de acesso e uso da internet, assim como de todos os recursos oferecidos pelas tecnologias da informação e comunicação (TICs).

Moral da história
Tendo como pano de fundo os conceitos acima expostos, publicarei quinzenalmente, às terças-feiras, artigos sobre como podemos melhorar nossas vidas colocando o Desenho Universal em prática.
Para o pleno sucesso desta iniciativa, a participação de você, leitor, é fundamental, enviando comentários, críticas, experiências pessoais e sugestões de pauta.
Conto com a colaboração de todos.

Leia também: Vida Independente


Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/4420.html.

Por Cid Torquato
 
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