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Ala-pivô supera surdez para defender a Eslovênia no Mundial de basquete
31/08/2010

Por Danielle Rocha
Direto de Istambul, Turquia

Quando nasceu, Miha Zupan não podia ouvir. Passou boa parte da infância numa escola especial para surdos e só mais tarde começou a conhecer os sons com o uso de aparelhos. Não se recorda qual foi a primeira palavra que escutou na vida. Puxa pela memória e acredita que tenha sido o próprio nome. No Mundial da Turquia, o nome é gritado pelo narrador a cada cesta nos jogos da Eslovênia, mas nem sempre o ala-pivô de 27 anos o escuta tão bem.
As orientações dadas pelo técnico Mehmed Becirovic e seus companheiros de equipe durante o jogo nem sempre falam alto aos seus ouvidos. Enquanto Zupan contava um pouco da sua história, o forte barulho de uma das máquinas que lançam camisas para os torcedores nas arquibancadas deu um susto nos que estavam perto. Para ele, o ruído parecia mais baixo.
- No começo era um pouco complicado usar estes aparelhos, mas hoje em dia, com o avanço da tecnologia, consigo entender tudo perfeitamente. Durante as partidas, mesmo com a torcida em ação, posso ouvir tudo o que o técnico e meus companheiros falam comigo. É claro que, em algumas vezes, tenho um pouco de dificuldade - admite.
Nenhuma delas é capaz de frear o camisa 13 da Eslovênia. Zupan só começou a jogar basquete com 14 anos, depois de ter tentado o futebol e o vôlei. Um treinador o viu no pátio da escola e o convidou para defender a equipe nacional para deficientes auditivos no Europeu. Três anos depois, assinou o seu primeiro contrato com uma equipe profissional para defender o Geoplin Slovan de Ljubljana. Cresceu tanto num curto espaço de tempo que os joelhos não aguentaram e ele teve de se afastar das quadras.
Outra vez ele se superou, voltou, se transformou no primeiro deficiente auditivo a disputar a Euroliga e, atualmente, joga na Grécia. Com 2,05m, o ala-pivô é adorado pelos fãs em todos os times que defende. Para eles, Zupan é uma lição de vida, além de um jogador aguerrido. E é esse espírito que ele quer mostrar contra o Brasil, no confronto desta quarta-feira.

- O Brasil tem um grande time e começou bem o Mundial. Será uma partida bastante disputada.
Fonte: globoesporte.globo.com
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