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CURSOS E INSTITUIÇÕES

UFRJ oferece cursos sobre tecnologia a jovens surdos
13/07/2010

Em uma sociedade onde o crescimento tecnológico é cada vez mais evidente, projetos que visem à inclusão de pessoas com algum tipo de necessidade especial nesse universo são essenciais. Este é o caso do projeto A inclusão do surdo na sociedade atual. Realizado desde 2005 pelo Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), o projeto tem como objetivo oferecer ao jovem surdo a inclusão nesse mundo digital através de cursos experimentais.

De acordo com a coordenadora do projeto, Vivian Rumjanek, A inclusão do surdo na sociedade atual busca despertar o interesse do jovem surdo a partir de cursos experimentais de curta duração para alunos de ensino médio, curso de extensão em Biociências e estágios em laboratórios para aqueles que se destacaram no curso.  As atividades são realizadas a partir de uma educação bilíngue, que utiliza além do português escrito, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), com o auxílio de um intérprete. 

Vivian Rumjanek informou que os cursos encontraram uma barreira específica para o aprendizado do surdo: a lingüística. Devido à exclusão tecnológica dos surdos do Brasil, a LIBRAS possui poucos termos científicos. A presença do intérprete não foi o suficiente para resolver essa questão. Sem conhecer os temas científicos dos cursos e com a ausência de termos correspondentes em LIBRAS, o intérprete não consegue contextualizar e explicar algo que ele mesmo não domina.

Desse modo, duas medidas essenciais para a melhor realização do curso foram tomadas: a capacitação contínua do intérprete e a criação dos Glossários de termos científicos em LIBRAS, nas mais diversas áreas do conhecimento. Cada vez que um novo tema é abordado nas aulas, os intérpretes são treinados, tiram dúvidas e assistem às conferências sobre o assunto. O projeto utiliza a mesma equipe de intérpretes há cinco anos.

Já os Glossários ajudam a aperfeiçoar a primeira língua dos surdos, abrindo uma janela de comunicação com o mundo externo. Alguns sinais novos são rapidamente aceitos e incorporados, outros acabam sendo abandonados. Há também alguns sinais que, no decorrer do tempo, foram modificados com o uso e só a versão final está no Glossário. Um fascículo do Glossário sobre Sangue já foi criado. Ele apresenta 121 termos científicos/tecnológicos.

Segundo Vivian Rumjanek, projeto A inclusão do surdo na sociedade atual acredita na inserção científica de forma crítica, que permitirá que o jovem surdo não só compreenda melhor determinados conceitos, como também julgue questões por conta própria e apresente opiniões sobre avanços tecnológicos que afetam sua vida. O surdo passa a ser mais independente. Além disso, através de uma formação técnica em Biociências, é possível ampliar a entrada do surdo no mercado de trabalho. Já foram realizados nove cursos experimentais de curta duração para um total de 152 alunos surdos.
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