TELELIBRAS

APRESENTAÇÃO

Desde 2004, a ONG Vez da Voz promove a interação entre pessoas com e sem deficiência. Para isso, atua em diversas frentes com a produção de materiais didáticos em braile e datilologia (alfabeto escrito para surdos); eventos inclusivos em shoppings e feiras; palestras em escolas e universidades e treinamentos em empresas. Também tem como meta mostrar à sociedade como é possível integrar todas as formas de comunicação, independente das diferenças. Por suas ações, a Vez da Voz já conquistou o selo de apoio institucional da Unesco, órgão da ONU para Educação e Ciência, e firmou parcerias com grandes empresas comprometidas com a responsabilidade social.

Constantemente, a ONG faz pesquisas com pessoas com deficiência visual, auditiva, física e intelectual, com o objetivo de descobrir suas reais necessidades. Foi a partir desta interação que os membros da Vez da Voz desenvolveram mais um produto inclusivo: o Telelibras, o primeiro telejornal inclusivo da internet brasileira, que transmite, em português e na língua brasileira de sinais (Libras), notícias variadas do Brasil e no mundo. O telejornal bilíngüe é voltado às pessoas com deficiência auditiva e aos interessados em aprender a libras.

A Vez da Voz criou este projeto porque os surdos relataram suas dificuldades de compreensão das notícias jornalísticas veiculadas nos meios de comunicação. Ler um jornal ou uma revista, por exemplo, é extremamente difícil para surdos que se comunicam apenas por libras. A língua de sinais é própria e apresenta uma gramática completamente diferente do português. Para os surdos que usam sinais, a frase em Português “vou para a casa dele” se transforma em “vou ele casa”. Esse é apenas um pequeno exemplo da barreira que eles têm de transpor ao tentar ler e entender o português. Para acompanhar os noticiários da televisão há possibilidade, em alguns televisores, de ativação de uma tecla que permite o acesso ao closed caption, sistema de transmissão de legendas via sinal de televisão. Ele descreve as falas dos apresentadores e também qualquer outro som presente na cena, como palmas, passos, trovões. Porém, muitas vezes, a captura do áudio não é a correta para o som da língua e ocorre uma distorção da mensagem f alada, resultando na escrita de uma palavra errada na tela da TV.

Outra alternativa utilizada pelas emissoras de TV para a comunicação com o surdo, principalmente os que não entendem o português, é a janela de libras. Seu formato corresponde a um espaço delimitado no vídeo onde as informações são interpretadas na língua brasileira de sinais. Porém, nem todos os programas televisivos contam com este recurso e quando o disponibilizam não o fazem em um formato adequado. Para se entender a libras é necessária a visualização dos gestos das mãos e da expressão facial, mas, normalmente, a veiculação da imagem é feita em pequenas janelas no canto da tela.

O problema referente ao acesso às informações jornalísticas pelos surdos existe. Algumas providências já foram tomadas, mas muitas ainda precisam ser desenvolvidas. E por isso, depois de conhecer essas dificuldades, ouvir uma surda que não entende o que acontece em um telejornal, e avaliar a situação da mídia, a ONG Vez da Voz criou o Telelibras, o primeiro telejornal inclusivo da Internet brasileira, que tem o objetivo de informar à comunidade surda e ouvinte sobre as notícias do Brasil e do mundo. Conheça a seguir o Telelibras e seu público-alvo.

Obrigada!

Equipe Vez da Voz

1- O PRODUTO

A)Telelibras: O primeiro telejornal inclusivo da Internet brasileira

Telejornal semanal voltado à comunidade surda;
    • Boletins com 5 minutos de duração – vídeos com 5 mega;
    • Aborda notícias variadas do Brasil e do mundo em todas as áreas: política, esporte, economia, cultura, emprego, atualidades, inclusão social;
    • O intérprete de libras não ocupa as pequenas janelas normalmente vistas na televisão. O profissional divide a cena com o apresentador;
    • Pode ser acessado em qualquer lugar pela internet, na página da ONG Vez da Voz. O objetivo é transmiti-lo também por um canal de TV;
    • Pretende-se veicular o Telelibras em vários sites de Responsabilidade Social (INES – Instituto Nacional de Educação dos Surdos, Prefeitura de SP – SEPED, Escola de Gente) e, assim, criar uma rede de acesso na Internet;
    • Gravações em estúdios de São Paulo, Campinas e Brasília, com possibilidade de externas.
    • As externas serão feitas por repórteres com Down, deficientes visuais, cadeirantes, que irão dar dicas de cultura, lazer, e de como eles querem ser tratados. Sempre com um intérprete de libras ao lado.
    • A equipe que produz o telejornal é composta por jornalistas, fonoaudióloga, apresentadores, intérpretes de libras, repórteres com deficiência, cinegrafista e editor.

B) Público-alvo do Telelibras
    • Comunidade surda. Segundo o último Censo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há hoje no Brasil mais de 5,7 milhões de pessoas com problemas relacionados à surdez; 166 mil são incapazes de ouvir e, desses, apenas 15% entendem o português. Eles formam, porém, uma comunidade unida, por conta das dificuldades, e que encontrou na tecnologia (internet, celular) uma forma de se comunicar e de se expressar.

C) Público secundário do Telelibras
    • Interessados em aprender a libras. O acesso ao aprendizado estará disponível na internet. Sem sair de casa ou do trabalho, a pessoa poderá aprender a língua de sinais e se informar com as notícias.


2) REALIDADE NACIONAL E O OBJETIVO DO TELELIBRAS

A) Dificuldades encontradas pelas pessoas com deficiência auditiva para o acesso à informação jornalística
    • A maioria dos surdos não é oralizada e, portanto, não compreende o português;
    • São raras as produções jornalísticas em datilologia (alfabeto manual usado pelos surdos);
    • Apenas alguns telejornais da TV aberta disponibilizam o sistema de transmissão de legendas;
    • As legendas são em português, há erros e a velocidade da escrita é rápida;
    • Quase não existem telejornais com a presença dos intérpretes de Libras (reconhecida desde 2002 como meio legal de comunicação e expressão, com a lei nº. 10.436). Os poucos exemplos são o “See Hear” (BBC inglesa), o Jornal Visual (TVE) e TV do Japão;
    • Quando são disponibilizadas, as janelas estão em formato inadequado (são muito pequenas);
    • As pessoas com deficiência auditiva dependem sempre dos outros para entenderem o que acontece no Brasil e no mundo.


B) Objetivos do Telelibras:
    • Promover o acesso da pessoa com deficiência auditiva às informações jornalísticas;
    Construir uma mídia democrática e inclusiva, onde todos tenham direito à informação, independente das diferenças.

C) Justificativas:
    • A acessibilidade na comunicação é fator muito importante para o pleno exercício de cidadania do surdo e contribui para uma melhor integração e inclusão do mesmo,
    • O direito à informação antecede a prática dos direitos humanos, e se constitui no direito-síntese dos direitos sociais. A Organização das Nações Unidas (ONU) enfatiza, como fundamentais, o direito à informação e o direito à comunicação, que são essenciais para o exercício da cidadania;
    • A informação é um dos direitos mais preciosos do homem e deve ser oferecida igualmente a todos, de modo claro, impessoal, preciso, sem direcionamentos e sem interesses ocultos;
    • O Telelibras poderá ser útil tanto para o surdo quanto para o ouvinte que deseja aprender a libras;
    • O formato do Telelibras, com o apresentador e o intérprete lado a lado, representa a igualdade entre ambos;
    • Como tem a missão de promover a interação das pessoas com e sem deficiência, a ONG Vez da Voz desenvolveu um produto de qualidade para permitir esse preceito e ajudar a garantir os direitos dos cidadãos.

D) Legislação:
    • NBR 15.29/2006 - decreta que os programas políticos, eleitorais, noticiosos, jornalísticos, educativos, campanhas institucionais e informativos de utilidade pública, bem como debates e entrevistas deverão conter janela com intérprete de LIBRAS, para permitir sua compreensão por pessoas com deficiência auditiva ou por pessoas que não compreendam ou não tenham fluência no português escrito.
    • Lei N.º 10.436/2002 - reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e diz que deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão desta língua como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.

E) Resultados obtidos:
    • A página da ONG Vez da Voz recebe, em média, 5 mil acessos mensais. Depois da implantação do jornal, o número saltou para mais de 3 mil visitas em apenas 15 dias;
    • Muitos surdos do Brasil e do exterior entraram em contato com a ONG parabenizando pela iniciativa;
    • Sites educativos pediram parceria da ONG para a divulgação do Telelibras em suas páginas;
    • Houve interesse espontâneo de um site japonês, na divulgação: http://nandemo.blogdns.com/fj/telelibras/;
    • A lista de contatos da ONG aumentou, visto que vários sites voltados à deficiência auditiva passaram a ser contatados para a divulgação do Telelibras. Constantemente, um aviso dos novos boletins é enviado a este grupo para que haja uma fidelidade deste público.

F) Resultados esperados:
    • Transformar o Telelibras em um telejornal diário;
    • Fazer parcerias de veiculação com sites que tenham trabalhos idôneos como: INES/RJ e SEPED (Secretaria da Pessoa com Deficiência / SP);
    • Veicular o Telelibras também na TV para atingir toda a comunidade surda;
    • Ser referência pelo ineditismo em responsabilidade social;
    • Garantir uma equipe de profissionais capacitados para a produção do Telelibras;
    • Transformar o Telelibras em um programa de televisão educativo mais abrangente, direcionado a todas as pessoas, com e sem deficiência.

G) Alguns depoimentos dos surdos sobre o Telelibras.

H) Por que contribuir com a causa:
    • Para garantir à comunidade surda o direito à informação;
    • Para comprometer-se com uma causa social;
    • Para promover um produto inédito voltado a um público de cerca de 6 milhões de pessoas.

I) A página da ONG Vez da Voz:
    • Cerca de 8 mil acessos mensais;
    • Notícias e artigos sobre inclusão social;
    • Informações sobre ações da ONG;
    • Apresentação de vídeos educativos;
    • Anúncios de emprego para pessoas com deficiência;

Currículo de profissionais do Telelibras
Por ordem alfabética

Andréia Marques
    É especialista em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, de São Paulo. No currículo, a jornalista registra passagem por jornais e emissoras de rádios da região de Campinas. Foi responsável pelo desenvolvimento de conteúdo de sites da “PubliWeb – Soluções em Marketing”. Durante três anos trabalhou na Assembléia Legislativa de São Paulo como coordenadora de comunicação política para o mandato de um parlamentar. No Telelibras é jornalista e apresentadora.

Ariel Figueiredo de Lucena
    Down de 20 anos, cursou até a oitava série do primeiro grau na escola Curumin, em Campinas. Faz curso de teatro, violão e tem aulas particulares de leitura e cálculos matemáticos. É contador de histórias da ONG Vez da Voz e um dos repórteres do Telelibras.

Cláudia Cotes
    Presidente da ONG Vez da Voz é idealizadora e coordenadora do projeto Telelibras. Autora de livros infantis inclusivos,faz doutorado em Lingüística pela PUC/SP, é mestra em fonoaudiologia e especialista em Voz. É formada em letras e fonoaudiologia. Atua como fonoaudióloga da EPTV Campinas (afiliada da Rede Globo) há nove anos; leciona no curso de especialização do Centro de Especialização em Fonoaudiologia (CEFAC/ SP) e atua clinicamente há 15 anos.

Daniel Ximenes
    Formado em comunicação social (rádio e TV) pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e com pós-graduado em comunicação pública e responsabilidade social pela Metrocamp, dirigiu programas televisivos de emissora nacional e programas institucionais. É assistente de direção de uma faculdade em Brasília. Na ONG, é responsável pela área financeira e pela captação de recursos. Apresenta e dirige o Telelibras em Brasília.

Eduardo Bertini
    Deficiente visual, estuda psicologia na PUC- Campinas. É instrutor de braile, palestrante nas atividades da ONG e um dos repórteres do Telelibras.

Paloma Cotes
    Vice-presidente da ONG, formou-se em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Trabalhou na Folha de São Paulo e Revista Época. Trabalha nos projetos de comunicação da ONG e é uma das responsáveis pelas notícias veiculadas no Telelibras.

Paullo Vieira
    É surdo e funcionário da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (Smped) de São Paulo. Nome de referência no meio surdo, é assessor do Telelibras.

Rafaella Sessenta
    Estudante de pedagogia,é intérprete certificada de libras. Já atuou na Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) e participou como intérprete da gravação de comerciais e vídeos institucionais. É intérprete de libras em faculdades de São Paulo e do Telelibras.

Roberta Lage
    Formada em comunicação social com habilitação em rádio e TV pela Unimep e jornalismo pela PUC- Campinas, é pós-graduada em comunicação pública e responsabilidade social, pela Metrocamp. Com experiências em redes de televisão nacional e internacional, já atuou na área de comunicação de agência de publicidade e universidade. Por sua constante busca pela inclusão social recebeu o “Prêmio Jornalista Cidadã”, oferecido pela Federação das Entidades Assistenciais de Campinas (Feac). Representa a ONG em Brasília e elabora, desenvolve e implanta e divulga projetos da Vez da Voz para a mídia e parceiros. Em Brasília, escreve e apresenta o Telelibras.

Rogério Souza
    Editor de imagens e locutor, editou o curta-metragem da história "O Som do Silêncio" e fez o making off do lançamento do kit “A Vez da Voz” entre outros trabalhos para a ONG. Apresenta o Telelibras.

Valdir Marques
    Técnico em informática, trabalha com computadores há 15 anos. Executa projetos de transmissão de vídeo pela internet, da captação à edição e publicação. Webmaster e editor de vídeo, é o responsável pelo site da ONG.

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