Quem foi Juliana prá lá de bacana


Juliana Cristina Hubert

Essa menina foi precoce desde sempre. Nasceu no dia 23 de agosto de 1992, por volta das 12:00hs, pesando 2,100 kg e com 42 cm. Estava com 7 meses de gestação.

Cresceu rapidamente e aos 9 meses de idade começou a pronunciar as primeiras palavras: "mamã" e "papá". Andou com 1 ano e 3 meses de idade, quando já falava muitas outras palavras.

Sempre gostou muito de música. Aos 3 anos, pediu para os pais a inscreverem em um concurso de dublagem no Shopping Center de Indaiatuba. Concorreu dublando a "Angélica", com a música "Big bom". Disputava um lugar na fase eliminatória com cerca de 60 crianças, entre 3 e 12 anos de idade, sendo que era a única com 3 anos. Na fase final, acabou em 2º lugar, ficando com a medalha de prata. Vale dizer que o 1º lugar ficou com uma menina de 11 anos.

Nessa mesma época, ganhou de uma prima alguns discos da Xuxa, e ouvia-os a exaustão. Sua música preferida era "Abecedário da Xuxa". Começou então, por influência da música, a reconhecer a grafia de todas as letras do alfabeto.

Um belo dia perguntou ao pai o que acontecia se juntasse as letras "B" e "A". O pai respondeu que formava "BA", assim como, se juntasse "B" com "E", formava "BE", e assim por diante. Não foi preciso dar maiores explicações a ela.

Um belo dia, quando a família passava de carro em uma rua do centro da cidade, havia um letreiro com o nome de uma loja, e a Juliana leu o que estava escrito, uma palavra simples, é verdade, mas foi lida corretamente. Estava ela com 3 anos e meio de idade.

Daí em diante, não parou mais. Começou a se interessar por histórias em quadrinhos, e "devorava" uma revistinha em menos de 1 hora.

Nessa mesma época os pais a matricularam em uma escolinha infantil. Freqüentou essa escola por 6 meses e depois foi transferida para uma outra, mais próxima de casa. Concluiu aquele ano, e foi matriculada no ano seguinte. Quando chegou as férias de julho, os pais foram chamados pela professora. Ela estava preocupada, porque a Juliana fazia perguntas que não eram pertinentes a idade dela. Conversando com a diretora, essa resolveu que após as férias, ela retornaria na série seguinte, pois estava mais adequada ao seu desenvolvimento. Continuou aquele semestre, e no ano seguinte foi matriculada no "Pré".

Nas férias de julho, os pais foram novamente chamados, desta vez pela diretora, preocupada porque a escola não poderia mais saciar a sede de conhecimentos que ela exigia. Aconselhou uma escola particular, mais dinâmica para ajudar nestas questões.

Os pais seguiram o conselho da diretora e o segundo semestre foi concluído em outra escola.

Foram tempos muito produtivos. No final do ano, na formatura do pré, ela foi a oradora da turma. Lia o texto com uma fluência que até os adultos estranhavam.

No ano seguinte, fez a 1ª série do ensino fundamental nessa escola. Tinha aulas de canto, de artes, ia a biblioteca e trazia um livro para casa todos os dias. Nas sextas feiras, trazia 2 ou 3 livros, para ler no fim de semana.

Um fato curioso que aconteceu nesse ano. Um dia qualquer, o pai foi ao supermercado e resolveu comprar um relógio de parede para a cozinha, pois o deles estava com defeito. Escolheu um que tinha no mostrador uma reprodução de uma pintura famosa. Ao chegar em casa, mostrou o relógio à esposa e a filha. Juliana, olhando rapidamente para o relógio disse:
-"Ah, pai, é o Abaporu, da Tarsila do Amaral"!

Não é preciso dizer que ambos ficaram "de queixo caído"!

Quando estava prestes a completar 7 anos, nasceu Leonardo, seu irmão.

Eles sempre se entenderam bem, apesar de o Léo ser muito "bravo". E ela, brincalhona como sempre, adorava atormentar o irmão.

Como já estava maior, sempre foi muito independente. Participava de teatros na escola, cantava (até em italiano) acompanhando o violão que o pai tocava muito toscamente (o tio era uma fera...), dançava, participava de todas as atividades da escola, continuava devorando livros, já rabiscava suas poesias, enfim, era muito ativa.

Já um pouco maior, com 10 anos, começou a aprender a tocar teclado, aprendia dança de salão junto com os pais, fazia um curso de inglês, cantava em um conjunto musical de seu tio-avô, organizava encontros com as amigas, enfim, não ficava parada.

As coisas que mais marcavam sua personalidade eram sua beleza, inteligência, simpatia, bom humor e desenvoltura. Impossível esquecer uma menina como ela. Muitos a conheciam e aos pais não.

Em abril de 2004 foi descoberta sua doença. Uma dor forte no peito, depois de melhor investigada, levou-a ao verdadeiro diagnóstico: Leucemia Mielóide Aguda. No instante da notícia, impactou-se por pouquíssimo tempo. Daí já começou a entender a doença e encarou-a de frente, pois tinha o compromisso de viver, e viver intensamente.

Tudo foi encarado com muita coragem e dignidade. Tanto que chegou a contagiar a todos, principalmente as crianças em condições iguais a dela, bem como toda a equipe de profissionais.

Ela sempre amou a todos incondicionalmente. Deixou florescer, mesmo em meio a um turbilhão de emoções, sua magia de escrever poesias. Sempre teve a intenção de escrever um livro de sua vida, porém de uma outra forma, deixou escrito seu livro através de suas poesias carinhosamente escritas dentro do Hospital Boldrini.

Sempre aceitou todo o tratamento e suas agressivas reações sem reclamar, mantendo-se bem humorada, calma e serena. Cativou a muitos com sua dignidade e persistência.

Pode sorrir ao ver-se careca em um espelho. Organizou festas na ala onde estava internada, já que devido a necessidade de isolamento, não podia participar das festas do hospital.

Em junho deste mesmo ano partiu, deixando muitas saudades. Mas, plantou uma lição de vida para muitos. Deixou semeados os verdadeiros valores humanos em muitos corações. Sempre dizemos que o nosso Anjo veio a este mundo para ensinar, e não para aprender! A nós, cabe cultivar o que aprendemos.

Mostrou que nunca devemos deixar de sonhar, pois um sonho compartilhado com seu semelhante torna-se realidade.

Hoje, a "Poetisa dos Anjos", a nossa "Juliana pra lá de bacana" é, e sempre foi, uma estrela muito brilhante que facilmente coloca um sorriso nos lábios de muitas crianças e adultos!

Juliana sempre foi um Arco Íris em nossas vidas, e acreditamos que sempre estaremos unidos através do AMOR!

Fonte: Edmundo Hubert – pai da Juliana Hubert – novembro/2007
Edmundo.Hubert@bshg.com





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